AVELINA DA SILVEIRA


Avelina da Silveira, filha de açorianos, nasceu no Huambo, Angola, em 1959. Reside no Ontário, Canadá.

É autora dos livros "Mas o Silêncio fica-me nos Lábios", poesia, 1983;"Num risco de Pássaros", poesia,1986;"Testemunha do Tempo:Palavras de Tecedeira", Jornal de Cultura, 1995. "Num risco de Pássaros" obteve o prémio Revelação de Poesia do Concurso Literário para a Juventude, da Direcção Regional dos Assuntos Culturais(Açores). Obteve, em 1985, o Primeiro Prémio de Poesia nos Jogos Florais da Universidade dos Açores.






Palavras onde me perco



How I long for the days when words were essential!

Outros tempos quando a palavra encerrava uma certeza

existencial

coeur et mots, moi même in a fabric of being.

 

Foi há tanto tempo que parti...

As palavras custam a vir;

como se eu as quisesse articular mas houvesse uma pedra

na garganta.

 

A voz lusitana escorre sem que dela eu beba,

quase alien, porque não sonho em português.

 

Palavras, words, mots perdus...

Labirintos de imagens onde me perco

na ânsia de chegar à outra margem de mim.

 

J’ai changé le profil du jour

et j’ai perdu mon visage en ce temps,

never again myself between the sea and the maples.

 

Oh tragédia de imigrar, de partir sem chegar

tecendo na diáspora un être d’ici et de toujours.

 

Demain será un autre pays, un autre matin,

but I won’t be here. De identidade dispersa

I’ll be searching in yesterday

for the name of a water bird among the snow.