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ANTÓNIO VALLACORBA |
António Vallacorba nasceu na freguesia de S. José, Ponta Delgada, em 1940. Reside em Montreal desde 1966. É colaborador regular de vários jornais, nomeadamente "A Voz de Portugal", o "Portuguese Times", o "Portugal Ilustrado", "O Açoriano Oriental", o "Diário Insular", e o "Correio da Horta". Na rádio Centre-Ville(Montreal), anima o programa cultural "Crónica Insular". É incontestavelmente o principal cronista da comunidade açoriana de Montreal. Em Setembro de 2000, publicou 0 livro de poesia "Peito Açoriano." Saiba mais sobre:
De certo que, numa esquina tenebrosa,num café de amálgama multidão, entrega a morte ladina, manhosa, a vítima ao assassino, ao ladrão. ...Fala-me dessa gente triste e só. Algures, na soleira duma porta, dorme alma triste sem ninguém, um bêbado ou vagabundo, que importa?, é um despojo da noite esse alguém. ...Fala-me dessa gente triste e só. Esperando ingloriamente, ansiosa por um amante, de mãos em imploração, suspira uma mulher voluptuosa deitada no leito c'o a solidão. ...Fala-me dessa gente triste e só. De certo que uma mãe não dorme ao ver o filho doente perecer; talvez alguém inanimado, com fome, jamais verá o Sol nascer. ...Fala-me dessa gente triste e só. Fala-me duma abandonada criança, deixada num parque para morrer. Entrego-te toda a minha herança se nos meus braços a poder suster. ...Fala-me dessa gente triste e só. Fala-me dessa gente, ó noite misteriosa, tu que jamais dormes e em teu manto envolves, discretamente e silenciosa, amargas lágrimas de tanto pranto. |