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ANTÓNIO S. VICENTE |
António Vicente nasceu em Fajão, Pampilhosa da Serra. Reside em Toronto.
Num noticiário das onze da noite, talvez devido à minha sensibilidade humana, quando vi as demostrações na Itália, protestando contra os bombar-deamentos da NATO na Sérvia, senti o desejo de estar incorporado no meio deles, manifestando também o meu desagrado contra essas desumanidades, destes que tanto falam em paz, e liberdade mas nas suas mentes e corações, só existe os cifrões provenientes da guerra, que com as suas armas semeiam no mundo, a miséria, o ódio, o sangue e o terror Dou-vos os parabéns irmãos italianos, pelo teres no coração o sangue de latino, a mais sensí-vel e humana das raças que conheço. E também a tantos mais que se têm manifestam em favor da paz e justiça e huma-nismo. Mas infelizmente, já vai a caminho de dois meses com a Jugoslávia quase destruída, e tantos responsáveis continuam calados, como se nada estivesse a acontecer. Será que é cobardia com medos americanos ou estão apreciando as cenas tristes deste teatro Luciférico de sessão continua? Qual será o Deus desta gente, que tanto ódio têm no coração? A pensar neste cenário, cai no sono e não tardou que ficasse a sonhar, para dar lugar ao meu consciente, que logo passou a fazer-me perguntas, às quais não soube responder! Estes homens que se dizem Cristãos, que se fazem acompanhar da Bíblia às suas Igrejas, mas não conhecem a verdade nela escrita? Será que nunca leram o evangelho de S. Lucas 10-27, onde está escrito o primeiro dos mandamento: "ama a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo como a ti mesmo!" Aonde está o próximo destes camuflados fariseus? Talvez nas bombas que manda sobre os inocentes em nome de Deus, da paz e democracia! HIPÓCRITAS No decorrer desse sonho, julguei-me estar na Carris há quarentas anos atrás, mas a viver os tempos actuais, No sonho, eu era o presidente do Sindicato, com a responsabilidade de fazer com que a classe se manifestasse contra a NATO, e as bombas mortíferas e destruidoras que lançam sobre o povo indefeso e inocente. - Reuni os membros do organismo, e por unanimidade ficou decretado escrever-se para todos os Sindicatos, a fim de fazer uma greve geral, protestando contra estes eventos satânicos, encapuzados em nome da paz. Esta notícia correu o Mundo, e todos seguiram o nosso exem-plo. O Globo paralisou, com a promessa de só voltarem ao trabalho, quando as bombas deixassem de cair sobre a gente inocente e indefesa. Deste modo, as negociáveis tiveram que voltar à mesa, conversando como homens adultos e humanos. De coração puro e consciência limpa, e não como crianças teimosas e rebeldes, trazendo no pensamento o sangue duma vingança, só porque a sua arma é mais forte que a do seu opositor. Não, os homens agora eram outros, e deram a garantia de tudo reconstruírem de novo, o que fora destruído pela NATO, em nome da paz, da liberdade e direitos humanos. Mas que descaramento!! No meu sonho, via tal manobra ser apenas um teste real, para os americanos tirarem a prova o seu potencial bélico. Isto me deixou triste, ao ver que os lideres Europeus não se apercebem disso, e que a Unidade Europeia não lhes convém, mas sim a guerra?! Vi as pessoas voltarem aos seus lares ainda chorosas, pelas dores físicas e mentais, que só o tempo se encarregaria de curar. Os engenheiros construtores de armas, passaram a ser conselheiros da paz e professores da moral. Os eventos da tecnologia, não mais foram usados para horrorizar e matar humanos, mas sim para lhes proporcionar uma vida digna e estável. Os 60 e tantos por cento, dos orçamentos da maioria dos estados mundiais destinados às armas e à guerra. - Mesmo nesses onde se morre de fome -, eram agora usados no desenvolvimento das produtividade e na abundância de mais pão. Deixou de haver campanhas de fundos para a sobrevivência dos famintos que diariamente morriam por escassez alimentar. O povo deleitava-se na abundância da paz, de pão e justiça social. Ninguém mendigava, como tão pouco os nocturnos dormiam ao ar livre e à mercê das misericordiosas intempéries. A droga fora coisa do passado, porque os desgraçados que a plantavam para terem dela o pão, agora eles próprios a odiavam e condenavam. Os lideres do Mundo, os ricos e poderosos, causadores dos grandes problemas pelas suas ambições egoísticas, não intro-duziam mais mentiras e promessas vãs, na mente da gente fraca. Eles deixaram de ser eleitos por sufrágio, mas escolhido e apontados pelo povo. E a balança da justiça, passou a ter para todos o mesmo peso e medida. Os inocentes não mais foram para a prisão, para deixar os criminosos em liberdade. Continuava a haver ricos e pobres, sem o desnivelamento de uns arrecadarem biliões, e outros os magros tostões para ampararem uma vida difícil e miserável. Como já não se fabricavam armas e nem havia droga, os crimes era quase nulos, e a redução dos gastos policiais canalizados numa instrução mais digna. O inválido não mais foi trabalhar para sustentar o cidadão vigoroso a viver do sistema, sem uma razão justificada. Todos tinham direitos, mas também todos tinham deveres. Isto não era o paraíso prometido, mas era o socialismo que sempre idealizei, e nunca tinha encontrado! Por isso era alguém feliz. Mas tal felicidade foi pouco duradoura, pois acordei, e vi que não passou dum sonho imaginário mostrado no infinito. Daquilo pelo qual sempre lutei e nunca consegui, como tantos Homens bem intencionados o tentaram no passado. Com o fim de criarem um mundo mais digno, mas sempre malogrado pelas tendências ambiciosas daqueles que a Bíblia adverte para que fujamos deles: O Apóstolo S. Paulo, na sua segunda carta a Timóteo 3, 1 a 5 diz a razão porque tudo isto acontece nos dias em que vivemos ao ler-se: Nos os últimos dias haverá tempos críticos, difíceis de manejar. Pois os Homens serão amantes de si mesmos, amantes do dinheiro, pretensiosos, soberbos, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, desleais, sem afeição natural, não dispostos a acordos, caluniadores, sem auto-domínio, ferozes, sem amor à bondade, traidores, teimosos, enfunados de orgulho, mais amantes de prazeres do que amantes de Deus, tendo uma forma de devoção piedosa, mostrando-se porém, falsos para com o seu poder; e destes afasta-te! Estes são os grandes males porque há guerras, porque existem crimes, porque milhões morrem à fome, porque há prazeres sem consciência, e porque o mundo jaz no poder do iníquo! Vós líderes do nosso Globo Do mais poderoso ao menor Não vedes o vosso povo? E da miséria ao redor. Sois cegos teimosos e moucos Nos vossos agressivos planos Brincais como monstros loucos Com o sangue desses humanos. Eu penso à minha maneira! E é o que trago na mente Há os que lavam a sujeira Com o sangue do inocente! Matam velhos jovens e meninos Produto de ódio e maldade Chamam aos outros assassinos? Mas quem são eles na verdade? Esses crimes quanto a mim... Nem dum demente tarado! Homem normal não faz assim Só o encarnado em diabo! |