ANTÓNIO S. VICENTE


António Vicente nasceu em Fajão, Pampilhosa da Serra. Reside em Toronto.
É autor das obras: "Vidas e tradições nas aldeias serranas da Beira"(1995) e "A vida difícil do Emigrante"(1997), "Serras Altas Descampadas"(2001) e "Professores Misteriosos"(2005)."






O SONHO MAIS BELO


Num noticiário das onze da noite, talvez devido à minha sensibilidade humana, quando vi as demostrações na Itália, protestando contra os bombar-deamentos da NATO na Sérvia, senti o desejo de estar incorporado no meio deles, manifestando também o meu desagrado contra essas desumanidades, destes que tanto falam em paz, e liberdade mas nas suas mentes e corações, só existe os cifrões provenientes da guerra, que com as suas armas semeiam no mundo, a miséria, o ódio, o sangue e o terror                
Dou-vos os parabéns irmãos italianos, pelo teres no coração o sangue de latino, a mais sensí-vel e humana  das raças que conheço. E também a tantos mais que se têm manifestam em favor  da paz e justiça e huma-nismo. Mas infelizmente, já vai a caminho de dois meses com a Jugoslávia quase destruída, e tantos  responsáveis continuam calados, como se nada estivesse a acontecer. Será que é cobardia com medos americanos ou estão apreciando as cenas tristes deste teatro Luciférico de sessão continua?  
Qual será o Deus desta gente, que tanto ódio têm no coração? A pensar neste cenário, cai no sono e não tardou que ficasse a sonhar, para dar lugar ao meu consciente, que logo passou  a fazer-me perguntas, às quais não soube responder! Estes homens que se dizem Cristãos, que se fazem acompanhar da Bíblia às suas Igrejas, mas não conhecem  a verdade nela escrita?  Será que nunca leram o evangelho de S. Lucas 10-27, onde está escrito o primeiro dos mandamento: "ama a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo como a ti mesmo!" Aonde está o próximo destes camuflados fariseus? Talvez nas bombas que manda sobre os inocentes em nome de Deus, da paz e democracia!  HIPÓCRITAS
No decorrer desse sonho, julguei-me  estar na Carris há quarentas anos atrás, mas a viver os tempos actuais, No sonho, eu era o presidente do Sindicato, com a responsabilidade de fazer com que a classe se manifestasse contra a NATO, e as bombas mortíferas e destruidoras que lançam sobre o povo indefeso e inocente. - Reuni os membros do organismo, e por unanimidade ficou decretado escrever-se para todos os Sindicatos, a fim de fazer uma  greve geral, protestando contra estes eventos  satânicos, encapuzados em nome da paz.     
Esta notícia correu o Mundo, e todos seguiram o nosso exem-plo. O Globo paralisou, com a promessa de só voltarem ao trabalho, quando as bombas deixassem de cair sobre a gente inocente e indefesa. Deste modo, as negociáveis tiveram que voltar à mesa, conversando como homens adultos e humanos. De coração puro e consciência limpa, e não como crianças teimosas e rebeldes, trazendo no pensamento  o sangue duma vingança, só porque a sua arma é mais forte que a do seu opositor.
Não, os homens agora eram outros, e deram a garantia de tudo reconstruírem de novo, o que fora destruído pela NATO, em nome da  paz, da liberdade e direitos humanos. Mas que descaramento!! No meu sonho, via tal manobra ser  apenas um teste real, para os americanos  tirarem a prova o seu potencial  bélico. Isto me deixou triste, ao ver que os  lideres Europeus não se apercebem disso, e que a Unidade Europeia não lhes  convém,  mas sim a guerra?!    
Vi as pessoas voltarem aos seus lares ainda chorosas, pelas dores físicas e mentais, que só o tempo se encarregaria de curar. Os engenheiros  construtores de armas, passaram a ser conselheiros da paz  e professores da moral. Os eventos da tecnologia, não mais foram usados  para horrorizar e matar humanos, mas sim para lhes proporcionar uma vida digna e estável. Os 60 e tantos por cento, dos orçamentos da maioria dos estados mundiais destinados às armas e à guerra. - Mesmo nesses onde se morre de fome -, eram agora usados no  desenvolvimento das produtividade e na abundância de mais pão. Deixou de haver campanhas de fundos para a sobrevivência dos famintos que diariamente morriam por escassez alimentar.    
O povo deleitava-se  na abundância da paz, de pão e justiça social. Ninguém mendigava, como tão pouco os nocturnos dormiam ao ar livre e à mercê das misericordiosas  intempéries. A droga fora coisa do passado, porque os desgraçados que a plantavam  para terem dela o pão, agora eles próprios  a odiavam e condenavam.    
Os lideres do Mundo, os ricos e poderosos, causadores dos grandes problemas pelas suas ambições egoísticas, não intro-duziam mais mentiras e promessas vãs, na mente da gente fraca. Eles deixaram de ser  eleitos por sufrágio, mas escolhido e apontados pelo povo. E a balança da justiça, passou a ter para todos o mesmo peso e medida. Os inocentes não mais foram para a prisão, para deixar os criminosos em liberdade.    
Continuava a haver ricos e pobres, sem o desnivelamento de uns arrecadarem biliões, e outros os magros tostões para ampararem uma vida difícil e miserável. Como já não se fabricavam armas e nem havia droga, os crimes era quase nulos, e a redução dos gastos policiais canalizados numa instrução mais digna. O inválido não mais foi  trabalhar para sustentar o cidadão vigoroso a viver do sistema, sem uma razão justificada. Todos tinham direitos, mas também todos tinham deveres.    
Isto não era o paraíso prometido, mas era o socialismo que sempre idealizei, e nunca tinha encontrado! Por isso era alguém feliz. Mas tal felicidade foi pouco duradoura, pois acordei, e vi que não passou dum sonho imaginário mostrado no infinito. Daquilo pelo qual sempre lutei e nunca consegui, como tantos Homens bem intencionados o tentaram no passado. Com o fim de criarem um mundo mais digno, mas sempre malogrado pelas tendências ambiciosas daqueles que a Bíblia adverte para que fujamos deles:    
O Apóstolo S. Paulo, na sua segunda carta a Timóteo 3, 1 a 5 diz a razão porque tudo isto acontece nos dias em que vivemos ao ler-se: Nos os últimos dias  haverá tempos críticos, difíceis de manejar. Pois os Homens serão amantes de si mesmos, amantes do dinheiro, pretensiosos, soberbos, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, desleais, sem afeição natural, não dispostos  a acordos, caluniadores, sem auto-domínio, ferozes, sem amor à bondade, traidores, teimosos, enfunados de orgulho, mais amantes de prazeres do que amantes  de Deus, tendo uma forma de devoção piedosa, mostrando-se porém, falsos para com o seu poder; e destes afasta-te!    
Estes são os grandes males porque há guerras, porque existem crimes, porque milhões morrem à fome, porque há prazeres sem consciência, e porque o mundo jaz no poder do iníquo!

Vós líderes do nosso Globo
Do mais poderoso ao menor
Não vedes o vosso povo?
E da miséria ao redor.  

Sois cegos teimosos e moucos
Nos vossos agressivos planos
Brincais como monstros loucos
Com o sangue desses humanos.
 
Eu penso à minha maneira!
E é o que trago na mente
Há os que lavam a sujeira
Com o sangue do inocente!
 
Matam velhos jovens e meninos
Produto de ódio e maldade
Chamam aos outros assassinos?
Mas quem são eles na verdade?
 
Esses crimes quanto a mim...
Nem dum demente tarado!
Homem normal não faz assim
Só o encarnado em diabo!