IDALINA DA SILVA


Idalina Manuela da Silva nasceu em Lisboa, em 1951. Emigrou com os pais para Toronto em 1967.
Muito implicada em actividades sócio-culturais comunitárias, colabora assiduamente na imprensa luso-canadiana, nomeadamente no Sol Português, Gente Modesta, Correio Português e Semanário. De 1995 a 1997, foi directora do jornal "Nove Ilhas-Voice of Portugal".
É autora de já vasta obra poética, em português e inglês, que pretende, brevemente, reunir em livro.

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    O MUNDO PRECISA DE POESIA

    Onde estão os poetas? Onde estão eles? Onde estão as vozes que falam de amor, de lamento, alegria e sofrimento? Onde estão aqueles que usam a alma como papel o espírito como caneta. Onde estão?”

    Idalina DaSilva - Outubro/03/01

    Dia 11 de Setembro - 11 o dia - Setembro o mês, que marcou o mundo, na sequência dos atentados em Nova Iorque e Washington. Nesse dia, o mundo perdeu toda a sua inocência, idealismo e romantismo. Nascem uns, morrem outros; chorar de uma criança, lágrimas de alegria, nasceu o filho, o neto, irmão, primo... nasceu o filho, tocam os sinos, que se misturam com zumbidos de tristeza, lamentos de dor, o eco da pá na terra cavando o espaço para a última morada... é o som da escavadeira à procura de vida, de alguma vida, que em pó ficou. São as mãos secas, sangrando, sem pele, cobertas de cinzas, que ficaram de fora. É o símbolo da destruição, é a certeza que a vida continua na esperança de um amanhã de certezas e incertezas...

    É nas incertezas que o mundo precisa de poesia. É nas alturas de lamento que precisamos de palavras que nos façam entender o que aconteceu, se é que podemos entender. Sabemos que o mundo tem espalhado sangue quando a terra está seca de ’homens de boa vontade’. Basta olhar e contar: Na Primeira Guerra Mundial, houve 14 milhões de mortos, incluindo cerca de 6 milhões de civis; O Império Britânico - incluindo o Canadá - perdeu 942.135 soldados, a Rússia, 1.700.00, a França, 1.368.000, e a Itália, 680.000. Tão horrendos foram estes números que a primeira confrontação global foi considerada a guerra de todas as guerras. Na altura foi dito que tamanha catástrofe nunca mais iria acontecer!

    Mas ela repetiu-se. Durante a Segunda Guerra Mundial houve entre 41 a 49 milhões de mortes. Só União Soviética perdeu 20 milhões de soldados e civis, ou seja uma em cada em oito pessoas da sua população. A Polónia perdeu 6 milhões - ou uma em cada seis pessoas. Na Guerra da Coreia, entre 3 a 5 milhões de pessoas, incluindo 39.914 americanos. No Vietname, 2.5 milhões, incluindo 58.158 americanos. Na Guerra do Golfo, 30 a 50 mil iraquianos, mais 293 americanos. Na Guerra na Bósnia estima-se que morreram 25 mil pessoas. No Afeganistão, foram 15 mil russos e 1 milhão de afegãos.

    Depois de tudo, como podemos esquecer os genocídios que aconteceram, só por si, no século XX: 6 milhões de judeus exterminados pelos nazis; 1 milhão de arménios desaparecidos na Turquia; mais de 2 milhões de cambodjianos mortos por Pol Pot; calcula-se que Estaline fez desaparecer 20 milhões de soviéticos da face do mundo; no Ruanda, somente há 7 anos, e numa  altura em que o resto do mundo quase nada fez, durante 100 dias os Hutus assassinaram 800.000 Tutsis.

    Nem vamos mergulhar nos canais das guerras de outros séculos, as que duravam décadas. De acordo com os historiadores, durante os séculos XVI e XVII havia uma guerra em cada três anos. E a tudo isto podemos juntar as guerrilhas isoladas, em África, desde 1990 a 1996; na Ásia, Europa, Médio Oriente, Américas... eu penso que o mundo gosta de espalhar sangue.

    Por isso é preciso poesia. É necessário criar momentos em palavras, sentimentos em parágrafos, rimas, sonetos, versos... sei lá que mais, mas é necessário poesia aos ouvidos do mundo.

    Noutros tempos vividos, noutras épocas sentidas, houveram poetas com linguagem de amor, com energia molhada na necessidade de expandir a perca, a agonia. Escreviam sobre a mãe, o filho, a amada, e os soldados, aqueles homens que lutaram em defesa da liberdade, pelo bem da humanidade. Poetas como Walt Whitman, da época da Guerra Civil Americana, ou o canadiano John McRae, durante a I Guerra Mundial. Outros, como Anna Akhmatova, da era de Estaline, que escreveu num tom de lamento magníficas obras após a morte do seu filho. Paul Celan, judeu Romeno, que perdeu os pais no Holocausto. O poeta italiano Salvatore Quasimodo, que durante a ocupação nazi usou tantas vezes a palavra “nós” nos seus poemas:

    ”E como podíamos nós cantar/com o pé estrangeiro no nosso coração”.

    O surrealista francês Robert Desnos, combinando amor com as incertezas da guerra:

    ”Sonhei tanto contigo/andei tanto e tanto/e dormi tanto e tanto com a presença do teu fantasma...”

    O mundo precisa de poesia... seja qual for. Os meus ouvidos necessitam de poesia. Muitos são os meus preferidos poetas da língua espanhola, Miguel de Unamuno, Ortega y Gasset, Antonio Machado, José Maria de Acosta e Eugenio d’Ors, e da tão sempre mui querida língua mãe; António Botto, entre muitos dos seus trabalhos fiquei apaixonada pelo livro “Ciúme”, “Cartas que me foram devolvidas” e “O meu amor pequenino” - das mais lindas coisas que tenho lido para crianças. José Régio, Eugénio Andrade, o poeta português dos nossos dias (ainda entre nós) mais conhecido; David Mourão-Ferreira, poeta do amor e da mulher, e João de Deus, o poeta do amor.

    Muitos são os poetas que desabrocharam da terra lusitânia e vieram florescer aqui, entre nós, que por eles tenho muito carinho: Euclides Cavaco, João Lúcio Monteiro, Ana Júlia Sança, Fátima Toste, Laurentino Esteves, Maria Leonor Oliveira, e tantos outros, não me esquecendo de Emília Lopes (ex-consuleza de Portugal em Nova Iorque.).

    O mundo precisa de poesia... seja qual for. Se alguém sabe os lamentos da dor e solidão, certamente que ninguém como os filhos das nove pérolas do Atlântico o sabem expressar: Manuel Luís Caeiro, João Teixeira de Medeiros, Victor Rui Dores, Carlos Costa Neves, Eduardo Bettencourt Pinto, e Sidónio Bettencourt, este último há poucos dias entre nós no Consulado de Portugal onde lançou o seu primeiro trabalho de poesia em prosa  “Deserto de Todas as Chuvas”.

    Talvez haja deserto de chuvas, ou chuvas sem deserto, aos poetas deixo o poder da palavra, porque o mundo precisa de poesia... seja ela qual for.




  • My Time

    To my freedom and dignity... to all the woman of the world

    This is the time...
    The time of making decisions
    It's going to hurt, I know...
    It will be a long walk,
    To the road of sanity
    To peace in my soul and my heart.
    Without you in my bed, in my arms
    Will be a peaceful time,
    At the end I will learn to live again,
    I will be me for all eternity

    Idalina DaSilva

    Looking Farway

    The Wind is cold, very cold,
    the door closes very fast on me,
    that will not stop me fom going outside.
    With my hands on my pockets
    I walk on my street,
    and look farway to a very bright day.
    Looking at the green montains,
    the clear ocean, the blue sky,
    at the orange and lemon tree,
    At you and me.
    Yes I am looking farway on a very cold day,
    at the land of hope, peace and love.
    Looking at the children they dont yet exist.
    I stop and look at the window reflection
    I am looking at my self...
    With grey hair and trembling hands,
    I am looking at my life,
    The one I yet have to live.

    Idalina M DaSilva