JOSÉ ARMELIN


José Faustino de Mendonça Armelim nasceu em 1951 em Angra do Heroísmo, ilha Terceira. Faleceu em Toronto em 1989.
Obra de poesia póstuma:"(In)versos)"




QUADRAS


Á janela de partir
Á porta de regressar
Há sempre alguém a sorrir
Quando vê alguém chorar.

Á tua porta, menina,
Não se pode conversar:
De dia, velhas á porta,
De noite, cães a ladrar.

Pus-me a contar e contei
As velhas da nossa rua:
Contei um cento delas,
Temos velhas com fartura.

Esta rua tem pedrinhas,
Eu hei-las mandar tirar
Com biquinhos d’alfinete,
P’ró meu bem passear.

É já tarde... e tu á porta,
Teu noivo ainda esperando!
Espera...que o vi há pouco
Com outra noiva noiva falando...

Ó lugar da meia noite,
Tu és o meu inimigo;
Estou á porta de quem amo,
Não posso entrar contigo.

Aqui estou á tua porta
C’um molhinho de lenha,
Á espera da resposta
Que de teus olhos me venha.

Ontem á noite, á tua porta,
Estava por ti esperando,
Teu pai arruçou-me o cão,
Que botou-se a mim reinando.

Passei p’la tua porta,
Meu coração se assustou;
Pousei os olhos na terra,
Toda a gente reparou.

Da minha porta p’ra tua
São vinte e quadro passadas
Quem me dera a mim chamar
Ás tuas irmãs cunhadas!

Á minha porta está lama,
Á tua está um lameiro;
Quando falares dos mais,
Olha p’ra ti primeiro.

Tenho na minha janela
O que ninguém tem na sua:
Um galho de violetas
Que dá cheiro a toda a rua.

Cravos da minha janela
Não dou a rapaz nenhum;
Falinhas, dou-as a todos,
Liberdades, só a um.