JOAQUIM EUSÉBIO


Joaquim Vitorino Videira Eusébio é natural de Lisboa, alentejano de coração (Beirã, Marvão, Alto Alentejo)

Licenciado em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, é professor do Ensino Secundário, tendo exercido no Liceu Nacional de Setúbal, na Escola Preparatória de Pombal, no Liceu José Falcão, na Escola Tecnológica e Artística de Pombal, no Instituto D. João V (Louriçal) e na Escola Secundária de Pombal, onde é professor do quadro de nomeação definitiva, tendo pertencido durante 5 anos ao Conselho Directivo da Escola Secundária e orientado alguns Cursos de Formação de Professores no âmbito do Projecto Foco no domínio da Expressão Dramática e do Património.

É co-fundador, director, encenador e actor do Teatro Amador de Pombal, criado em Julho de 1976, tendo sido galardoado em 1986 com o Prémio Directíssimo - Teatro Regional.

Foi encenador de 1981 a 1983 do Grupo de Teatro da Casa do Povo de Soure. É co-autor da antologia "A técnica do actor" (edição da Delegação Distrital de Leiria do F. A. O. J., 1980), tendo orientado vários ateliers de encenação. É autor da monografia "Pombal – 8 séculos de História" (edição da Câmara Municipal de Pombal, 1997).

De 1980 a 1982 foi deputado da Assembleia Municipal de Pombal.

Foi responsável pelo levantamento cultural de oito das freguesias de Pombal. É co-fundador da Associação de Defesa do Património Cultural e Ambiental de Pombal, da Cooperativa Rádio Clube de Pombal e do Rotary Club de Pombal. Foi director-adjunto do jornal "O Correio de Pombal" e chefe de redacção do jornal "A Nossa Voz". Integrou igualmente o grupo de música popular portuguesa "Sol Nascente".

É professor da Escola Secundária Lusitana de Montreal (Quebeque, Canadá) desde 1999. Em Junho de 2001, publicou a monografia "Falando Português em Montreal".

Outras páginas sobre o autor:

*Pombal-Oito séculos de história




FALANDO PORTUGUÊS EM MONTREAL



É este o título do mais recente livro publicado em Português em Montreal.

Trata-se de uma monografia sobre a história de duas escolas portuguesa desta cidade - a Escola Santa Cruz e a Escola Secundária Lusitana. Ao longo das suas 132 páginas traça-se o esboço possível que foi o trabalho árduo e notável de promover o estudo da Língua e da Cultura Portuguesas a cerca de 22 mil jovens portugueses e luso-descendentes, que, assim, puderam receber e eles próprios transmitir a outros aquilo que mais nos identifica e nos une – a Língua e a herança cultural de um país pequeno em dimensão e em riqueza material, mas extraordinariamente rico pelo que fez e criou. Isso só foi possível porque o sonho de alguns (o padre Frederico Fatela e o professor José de Barros) foi convertido em realidade inegável. Uma obra em que muitos colaboraram – pais que acreditaram, professores que, de uma forma dedicada e, quantas vezes, não reconhecida, souberam dar o melhor de si, uma Comunidade que, no seio das suas Associações e Empresas, deu o seu apoio e, finalmente, porque houve também o apoio dos governos canadianos (federal e provincial) e do governo (através do Consulado Geral de Portugal em Montreal).

No seu primeiro capítulo é analisada a realidade histórica da emigração portuguesa para o Canadá e mais particularmente para o Quebeque, as suas causas e as suas consequências, procurando-se mostrar como, nos inícios dos anos 70, no pico da emigração lusa, o aparecimento destas escolas correspondeu a uma natural carência sentida pela nossa comunidade. Seguidamente, é descrita a formação destas Escolas, os objectivos e as dificuldades iniciais, para depois se passar à análise das componentes inerentes ao processo educativo – os alunos e os professores, mas não esquecendo o papel que representam neste processo os pais, quer em casa, quer no seu grande empenhamento nas Comissões de Pais. É dada igualmente uma imagem das inúmeras actividades desenvolvidas em ambas as escolas tendo sempre a vista a promoção da Cultura Portuguesa. Através de uma análise estatística é feito um retrato sobre a origem geográfica de alunos e pais das duas escolas, bem como o nível, cada vez menor, da utilização da língua portuguesa.

Finalmente procura-se perspectivar qual o futuro do ensino da Língua e da Cultura Portuguesas numa sociedade quebequense multicultural, no seio de uma Comunidade Portuguesa bem diferente daquela que viu surgir as 2 escolas nos anos 70. Para isso, contou-se com os resultados obtidos a partir de uma Jornada de Reflexão aberta à Comunidade, recentemente realizada, bem como a inquéritos feitos aos alunos. Há perguntas, dados, reflexões e sugestões sobre o futuro do Português e do seu ensino, num momento em que se verifica, por um lado, uma tendência para a diminuição de alunos e, por outro, um acréscimo da importância do Português como Língua Internacional, como ainda recentemente o fez sentir o Presidente da República na sua recente visita a esta cidade ou, ainda, a recente aprovação do Mineur em Língua Portuguesa e Civilizações Lusófonas por parte da Universidade de Montreal. Daí, julgamos, a importância que o livro possa ter para a nossa Comunidade, como espelho e, ao mesmo tempo, como instrumento de análise e reflexão.

A publicação deste livro insere-se no programa de comemorações do 30º Aniversário da Escola Santa Cruz e 25º Aniversário da Escola Secundária Lusitana e ficou a dever-se ao apoio das direcções das Escolas Santa Cruz e Lusitana, das respectivas Comissões de Pais, à Caixa de Economia dos Portugueses de Montreal e ao Governo Português através do Consulado Geral de Portugal em Montreal.


(Joaquim Eusébio-Montreal, Junho de 2001)