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es Bacchantes, uma criação da luso-canadiana Paula de Vasconcelos, tem a honra de abrir a oitava edição do "Festival de théâtre des Amériques", a decorrer em Montreal, a partir do dia 20 de maio.
Actriz, autora e encenadora, Paula de Vasconcelos chegou ainda criança a Montreal
e desde muito cedo foi atraída pelo mundo do teatro. É, desde há
vários anos, directora do "Pigeon Internacional", um espaço teatral onde tem levado à cena criações de grande qualidade e prestígio.
Sempre em busca de novas formas de expressão e comunicação, Paula de Vasconcelos,
em entrevista ao diário "La Presse", reconhece que o teatro e a dança estão cada vez mais ligados, "este fenómeno teatro-dança é cada vez mais natural, há uma mestiçagem das culturas, todas as barreiras caiem, as barreiras políticas, sexuais, tudo é permitido, já não existem fronteiras entre as coisas."
E mais à frente, "Descobri que a coreografia é a minha forma de escrita, ela
passa mais pelo corpo do que pelas palavras.(...) É um modo de comunicação
completamente diferente."
Em entrevista ao semanário cultural "Voir", Paula de Vasconcelos
confessa que com "Les Bacchantes" quer "continuar o diálogo com os homens,
encetado na peça anterior "Lettre d'amour à Tarantino". "Mas desta vez de forma um
pouco mais agressiva. Quero explorar o poder das mulheres, a todos os níveis, até à
violência, à cólera, temas ainda muito tabus. Temos todas um fundo guerreiro dentro de nós,
mas sufocamos este lado masculino, não o deixamos exteriorizar. Como seria o mundo se as mulheres tivessem a última palavra? Não sei o que sucederia mas penso que valeria a pena experimentar"(risos).
Inspirei-me, com total liberdade criativa, na mitologia grega que transplantei para o
universo contemporâneo,
onde, utilizando esta energia mitológica, as mulheres enfeitiçam,
seduzem, deslumbram os
homens. E destróiem tudo o que se lhes atravesse no caminho. Mesmo se o espectáculo, em forma de "poema-visual", quer transcender a guerra dos sexos e festejar a força das mulheres, sem diminuir os homens, espero que
seja um pouco perturbante, que as pessoas, no final, digam: Ela foi um pouco longe de mais..."
Manuel Carvalho -Publicado no jornal LusoPresse(1-6-99)

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