Escrevivências
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Trudeau-O adeus do Rei-Filósofo |
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P ara que a valorização dos atributos individuais de um estadista, ou até mesmo de pessoas de menores con-secuções ocorra , torna-se imperativo fatal que Dona Parca se resolva rondar os portais do limiar da vida ou aconteça o finamento. Repentinamente, os detractores de Trudeau, os caustícos do multiculturalismo, os discordantes do seu périplo europeu em torno da ideia de paz, as vozes que outrora condenaram a irreverência do líder perante o "elefante" do sul, as suas piruetas nas costas da rainha, a amizade patenteada perante o obstinado Fidel, o repatriamento da Constituição, surgem agora contritas a panegirizar esta personalidade porventura controversa e irreverente que , mercê da sua intelectualidade , pertinácia e audaciosa visão, concedeu a este país, até aí cinzento na cena internacional, a afirmação tenaz e pujante entre as nações. Pierre Elliot Trudeau soube capitalizar a virilidade intelectual, as excentridades e o arrojo com que confron-frontou a crise Quebequense de 1970, com laivos de arrogância e despotismo só desculpáveis e consen-tíveis aos seres invulgarmente destemidos.
A fortaleza do seu carácter enobreceu o conceito do "canadianismo" e pautou-se pelo ideal da construção de uma socieda justa. Trudeau foi um homem tremendamente espiritual, embora nem sempre ostentasse esta virtude de forma preclara e visível Senhor de um intelecto respeitável e temível, seduziu o país durante 16 anos, apesar de certas atitudes aristocráticamente cínicas e desdenhosas. que lhe permitiam rotular acintosamente os jornalistas de "focas treinadas". Erigiu a arquitectura bilingue, colocando deste modo ambas as línguas em plano de igualdade oficial, contudo, uma das maiores consecuções politicas--históricamente a mais notável(?)--terá sido o repatriamento e enquadramento da carta dos direitos e liberdades na Constituição e a orientação social da sua obstinada política rumo à construção da "just society", porventura, nem sempre devidamente destacadas nos meios jornalísticos. A afirmação do historiador Michael Bliss é reveladora do carisma incontornável deste homem mitológico que soube imprimir ao Canadá um imagem de respeito e credibilidade inernacionais, até aqui jamais conseguidas, num dizer que sintetiza a relação pessol do estadista com o seu povo nestes termos: " A carreira política de Trudeau consistia em permitir aos Canadianos tomar controlo das suas vidas. Trudeau que à superficie, foi o mais elitista de todos os Primeiors Ministros Canadianos,tornou-se o mais importante populista na história politica deste país" Quem diria que este homem aparantemente super-confiante, praticava uma disciplina espartana, próxima da auto-falegelação, com exercícios disciplinares que incluiam a prática de várias actividades desportivas e o contacto com lagos e bosques, através da sua canoa e interminávies caminhadas, fascinado pela redescoberta íntimista dos mistérios da natureza. A História que não se compadece com vulgatas, haverá de saber conceder a Trudeau o lugar Olimpico que lhe compete na galeria dos homens que imprimiram um cunho pessoal e notabilizaram, a vida política deste pais-gigante ao lado de Sir John A. MacDonald , Mackenzie King e Sir Wilfrid Laurier.
O homem que firmou o Canadá no panorama político internacional e deu o melhor de si para humanizar a a vida politica , sagrando-se o "Canadiano do século" repousa eternamente os seu feitos e, tal como afirmou irónica e luminosamente um eminente articulista canadiano " Deus terá agora, alguém com quem conversar" Brampton, Outubro 03/2000
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