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A IDENTIDADE LUSO-CANADIANA Povo errante, foi a 13 de Maio de 1953 que, a bordo do Satúrnia, chegámos a estas paragens à descoberta de nova vida e mais rasgados horizontes.
Quando estão quase aí à porta os
festejos comemorativos do meio-século da nossa chegada oficial ao Canadá e que
diversos grupos e organizações já se movimentam para que se revistam da pompa e
circunstância que tal efeméride justifica, cabe aqui e agora aflorar a questão
que, com certeza, paira na mente de muita gente e que é de vital importância
para o traçar de novos rumos e novos destinos: O que é a comunidade luso-canadiana? Pergunta
mais do que pertinente que activa novas interrogações e que, inevitavelmente traz a terreiro o
eterno confronto entre os velhos deuses e demónios do melting pot, da assimilação,
do multiculturalismo, do interculturalismo,do gueto e da tribo. Para uns, com uma percepção objectiva, a identidade cultural
de um indivíduos ou grupo define-se a partir de um conjunto de critérios
determinantes: a origem comum, a língua, a cultura, a religião, a psicologia
colectiva, a ligação a um território, etc. e um grupo sem estes critérios não
pode reinvindicar uma identidade cultural autêntica. Para
outros, com uma percepção subjectiva, a
identidade etnocultural não é mais do que um sentimento de pertença ou uma
identificação com uma colectividade mais ou menos imaginária. Para outros ainda, com uma percepção mais lata, a identidade
de cada individuo não se restringe ou circunscreve à identificação com um grupo
determinado mas é sim o somatório de todos os valores adquiridos ao longo da
existência e está em constante construção e transformação. Aqui iremos reunir alguns textos de autores de diferentes quadrantes e visões que, pelo seu conteúdo, nos ajudem a abordar esta problemática e a identificar os critérios indispensáveis à construção da nossa identidade cultural como componente da nossa nova identidade social em terras canadianas. Consideramos nada ser mais apropriado, para abrir esta secção, do que o poema "Noite", incluído na "Mensagem" de Fernando Pessoa que, recorrendo às figuras míticas dos Corte-Real, nos incita a partir, contra ventos e marés, à procura da nossa identidade. TEXTOS:
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