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Nasceu "alpié de la raia de Spanha", em Cicouro, Miranda do Douro, em 1946. Cedo foi arrancado ao torrão mirandês e levado "lá para baixo", como então se dizia, em busca duma vida menos sacrificada.
Colares e a Batalha foram terras que o viram crescer. Passou a adolescência nos Outeiros da Gândara dos Olivais, Leiria, onde se iniciou no mundo das letras. Fez a guerra colonial em Angola. Depois, viveu no Porto, em Paris e em Lisboa. Em 1980 radicou-se em Montreal, no Canadá, onde teima em resistir ao canto das sereias do "melting pot". Tem as suas reflexões de andarilho semeadas por jornais, revistas e livros. Cidadão do mundo, luso-canadiano, português, transmontano, hoje, iniciada a viagem espiritual de regresso às origens, já se daria por satisfeito se o
considerassem um bom mirandês. Sonha, pois, recuperar a sua identidade perdida e poder um dia ser capaz de talhar um texto escorreito na sua língua materna, essa "lhéngua mirandesa, doce cumo ua meligrana, guapa i campechana." |